Biocomb


“Quão grande podem se tornar os biocombustíveis?” by squizato
7/março/2007, 9:58 am
Filed under: Agricultura, Biodiesel, Economia, Etanol, Geral, Internacional

O título deste post foi uma das questões colocadas pela presidente e CEO da ADM (Archer Daniels Midland), Patricia Woertz, durante o principal painel do fórum promovido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos na semana passada. Além dessas, a executiva colocou mais duas: “O quão rápido eles podem crescer?; E o que será necessário?”

O tema do painel era a relação da energia renovável com a agricultura – leia-se etanol e biodiesel. Ao lado de Patricia que dirige a líder mundial na produção de biocombustíveis (somando etanol e biodiesel), estavam o presidente e COO (Chief Operating Officer) da Cargill, Gregory Page, o presidente e CEO da CHS, John Johnson, e o presidente do Instituto Americano do Petróleo (API, na sigla em inglês), Red Cavaney.

Para se ter idéia do potencial dessas empresas no setor, a ADM está investindo US$ 2,5 bilhões em duas novas usinas de etanol nos Estados Unidos e três novas usinas de biodiesel, sendo que uma será em Rondonópolis (MT). Já a Cargill adquiriu em meados do ano passado ações da usina Vale do Sapucaí, para estabelecer uma joint venture com a Canagril, uma associação de produtores. Além disso, a Cargill investe US$ 1 bilhão em novas unidades produtoras de etanol e biodiesel nos EUA e na Europa.

Já a CHS tem um perfil bastante curioso. Embora também atue no mercado de grãos como ADM e Cargill, a empresa também controla duas refinarias de petróleo e tem 22% de participação na US BioEnergy, o segundo maior produtor de etanol dos Estados Unidos.

Os valores complementados por alguns dados do setor agrícola indicam a dinâmica atual do mercado de biocomb nos Estados Unidos. Também servem de referência para resposnder às perguntas colocadas pela presidente da ADM. Segundo o Departamento de Agricultura, há 450 testes de novas sementes de milho em curso no país. É praticamente o dobro dos teste com soja, que aparece na segunda posição deste ranking. Para encerrar, a área plantada de milho deve crescer neste ano entre 3,2 e 4 milhões de hectares. Todos esses números mostram que a questão em torno dos biocombustíveis não é mais se eles são ou não viáveis e sim,  mais sim aquelas colocadas pela presidente da ADM.

Mas como Patricia diz, o futuro do biocombustíveis não está apenas em uma matéria-prima, ou produto. Ele está na diversidade, de forma que garanta a oferta de biocombustíveis.

Na visão da ADM, o etanol pode chegar a suprir 20% da demanda norte-americana, desde que haja tempo suficiente para novas tecnologias chegarem ao mercado de maneira competitiva.

O presidente da CHS também fez seu discurso baseado nas questões relacionadas aos biocombustíveis. Nada pontual, apenas que ainda existem mais perguntas do que respostas no setor. Na visão desta empresa, o caminho para a segurança energética dos EUA é uma combinação de quatro fatores: combustíveis fósseis, renováveis, desenvolvimento tecnológico e economia de energia.

O papel dos combustíveis fósseis realmente não pode ser subestimado. Como lembrou o presidente do API, Red Cavaney, assim como hoje, em 2030 cerca de 60% da demanda energética dos EUA será suprida por petróleo e gás. Apesar de a porcentagem permanecer a mesma, haverá um aumento de 50% na demanda por energia no mundo neste período. Para o representante da entidade que reúne a indústria de petróleo e gás dos Estados Unidos, a segurança energética do país requer eficiência energética, novas tecnologias e diversificação de fontes.

Johnson lembrou, da CHS, também que pode ser perigoso a introdução de novas fontes na matriz por meio de subsídios e adições compulsórias, sob o risco de prejudicar o mercado de alimentos.

Esta preocupação dominou o discurso do presidente da Cargill, Gregory Page. Mas, sabiamente, ele apontou que a criação de um mercado internacional para os biocombustíveis – ao invés de buscar a independência energética a qualquer custo – é uma grande oportunidade para reduzir os riscos associados para o mercado de alimentos.

O discurso de três grandes empresas que atuam no setor mostram que embora o ciclo de investimentos nos EUA só esteja começando, seus limites de crescimento já começam a ficar bastante claros. E a única saída é um mercado internacional que aproveite o excedente de um número grande de países produtores. Mas parece será difícil para os países que despertaram agora para os biocombustíveis acomodarem todos os interesses envolvidos em benefício deste mercado internacional.

O Brasil com 30 anos de história e um mercado já desregulamentado no etanol, além de amplo espaço para ampliação das culturas, tende a sofrer muito menos neste sentido. Em última análise, isso reduz o risco de investimento em empresas de agroenergia nacionais, em virtude de riscos regulatórios menores.

Neste cenário e tomando como premissa dados já divulgados, fica claro
que os biocombustíveis podem ocupar, mesmo em escala global, uma
parcela superior aos 20% indicados pela executiva da ADM. Quando isso
ocorrerá é mais difícil de saber, mas as estimativas tradicionais
indicam que não será antes de 2030.

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