Biocomb


79 milhões de hectares e mais lenha na cana by squizato
2/abril/2007, 10:33 am
Filed under: Agricultura, Análise, Clipping, Etanol, Geral

A edição de ontem de O Globo traz na capa do caderno de economia mais um estudo sobre o etanol do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República, este produzido em parceria com a UFRJ.

O texto diz que foram identificados 79,4 milhões de hectares para plantio adicional da cana, dos quais 38,2 milhões de hectares tem potencial produtivo alto ou médio. Segundo o texto, está área poderia produzir 100 bilhões de litros, em data não informada,  ou 200 bilhões de litros em 2025, incluindo introdução do etanol  celulósico.

Tudo muito bom, mas os números parecem estar subestimados. Mesmo quando se considera os 200 bilhões de litros em 38,2 milhões de hectares, o resultado é uma produtividade de 5.236 litros por hectare. Atualmente, a produtividade brasileira é de 2.967 litros por hectare, se forem considerados 17,8 bilhões de litros em seis milhões de hectare.

Contudo, metade da matéria-prima atual é usada para produzir açúcar. Isso não deve continuar a ocorrer porque o mercado de açúcar não deverá crescer à mesma proporção do etanol. Assim, mais cana será usada para produzir álcool, como ilustram diversos novos projetos que têm foco apenas na agroenergia: álcool e eletricidade a partir da biomassa.

Ou seja, quando se considera apenas o porcentual usado para fazer álcool a produtividade salta para 5.933 mil litros por hectare. A seis mil litros por hectare, apenas os 38,2 milhões de hectares citados no estudo seriam capazes de produzir 229 bilhões de litros por ano. Para toda a área citada, o volume chegaria a 476 bilhões de litros por ano.

Há duas grandes perguntas: Qual será o ritmo de expansão da cana?  Qual será o aumento da produtividade durante este período? Quem tiver as respostas a essas perguntas ganha um doce.

Ontem, O Estado de S. Paulo (somente para assinantes) trouxe duas páginas do caderno de economia com os problemas relacionados à cana. Uma delas inteiramente dedicada aos problemas trabalhistas, com foco nas 18 mortes de bóias-frias associadas ao excesso de esforço ocorridas desde 2004. Outra informando que o WWF quer fazer estudo para rever o impacto do álcool no meio ambiente. A temporada de ataque à cultura está aberta e muitos relatórios devem surgir para mostrar os pontos fracos da cana.

Juntando o estudo do NAE com as críticas trabalhistas e ambientalistas, a pergunta que se faz é: Quem está cuidando do planejamento estratégico para uso do solo no Brasil? Enquanto a nação se preocupa com a expansão da cultura de cana, 200 milhões de bois e vacas pastam solenemente em 220 milhões de hectares, que incluem os biomas do Pantanal e da Amazônia. Obviamente, a questão da coupação do solo deve ser comparativa. É melhor cana ou pasto? Cana ou soja? Cana ou mata nativa? E assim vai. Para cada região a resposta deve ser diferente. Pois, como diria Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra.

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