Biocomb


Boi na linha by squizato
4/abril/2007, 10:35 am
Filed under: Agricultura, Análise, Clipping, Economia, Etanol, Geral, Tecnologia

Pecuaristas e representantes de outros setores começam a reclamar da expansão da cana. Bom exemplo disso pode ser lido no caderno de Economia de O Estado de S. Paulo (somente para assinantes). O diretor técnico da Associação dos Criadores de Zebu, Nelson Pineda, afirma que “a febre em torno do biocombustível pode trazer conseqüências desastrosas ao setor agropecuário” e que “o entusiasmo em torno do “ouro verde” não pode prejudicar o desenvolvimento de setores que possuem peso na balança comercial”.

O ritmo dos negócios do setor de biocombustíveis desperta – cada vez mais – a atenção de outros setores. As críticas, como já foi dito aqui, vão aumentar. Mas na comparação com outras culturas, o setor de cana tem todo o direito de se expandir. Claro, a diversificação de culturas é salutar, mas este não é o ponto.

O Brasil, felizmente, tem terra de sobra. Por sobra, entenda-se mal aproveitadas. E o melhor exemplo disso vem da própria pecuária. Há aproximadamente 220 milhões de hectares de pasto no país, com cerca de 200 milhões de cabeças. Reclamar de uma cultura que ocupa pouco mais de seis milhões de hectares é, pela mera diferença de área, rizível. Há outros fatores ainda mais importantes. E já que a questão é área, deve-se procurar obter o máximo de produtividade no terreno ocupado, com o mínimo impacto ambiental.

No quesito produtividade, a cana tem se mostrado praticamente imbatível. Basta ver os dados da balança comercial do agronegócio do primeiro bimestre. O setor sucroalcooleiro exportou US$ 1,133 bilhão, enquanto o complexo soja vendeu para fora US$ 749 milhões e carnes bovinas venderam US$ 690 milhões. Apenas para colocar em perspectiva, a cana ocupa 6 milhões de hectares, a soja usa 20 milhões de hectares e os bois quase nove vezes a área dessas duas culturas somadas.

A questão também não pode ser resumida à balança comercial, porém, se o critério for este, a expansão da cana está mais do que justificada. Ao invés de criticar a expansão de outros setores, seria mais produtivo para a discussão e para o país que setor de pecuária de corte focasse os esforços em aumento da produtividade. Um bom começo seria buscar formas de acelerar a implementação de sistemas integrados de lavoura-pecuária. Os benefícios são ilustrados neste texto da Embrapa Gado de Corte. Há muitas outras soluções disponíveis e espaço – para todos – não falta.

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