Biocomb


Economist e Foreign Affairs sobre biocombustíveis by squizato
5/abril/2007, 12:55 pm
Filed under: Agricultura, Análise, Biodiesel, Clipping, Etanol, Geral, Internacional

Duas revistas que estão entre as mais influentes do mundo publicaram artigos sobre os biocombustíveis nesta semana. A edição atual da The Economist (somente para assinantes) publica um editorial com o título “Castro estava certo” (Castro was right). O texto está bem balanceado e aponta que o etanol de milho é ruim porque é feito a partir de alimento e requer muito subsídios, mas é bom para políticos, fazendeiros, para a direita americana, para os fabricantes de automóveis e até para as companhias de petróleo.

Ao mesmo tempo elogia o etanol brasileiro, por ser muito mais eficiente, e registra que o Brasil ainda tem muita terra para expandir a produção. Lembra também que o etanol celulósico deve colocar um ponto final no debate comida versus alimento. Porém, omite que os Estados Unidos são os principais interessados em desenvolver a segunda geração de etanol e que a Europa investe pesadamente na produção de biodiesel a partir de grãos. Faz um lembrete importante e muito negligenciado atualmente na imprensa. O etanol não irá resolver os problemas da humanidade. É apenas um dos elementos para diversificar a matriz energética mundial.

Já a Foreign Affairs (FA), tida como a bíblia das relações exteriores, traz um longo artigo de dois professores, co-diretores do Centro da Indústria Alimentícia da Universidade de Minessota. Com o título “Como os biocombustíves podem deixar os pobres famintos” (How biofuels could starve the poor). O artigo do professores C. Ford Range e Benjamin Senauer é muito mais crítico do que a análise da Economist, mas também tem o mérito de criticar métodos produtivos pouco eficientes como o etanol de milho ou o álcool de mandioca, que é uma das opções usadas no sudeste asiático. Também critica as barreiras comerciais e aponta para os problemas ambientais que o aumento da área de milho pode provocar.

Um pequeno parênteses sobre a mandioca: na década de 70 o Brasil estudou o uso da mandioca para produzir etanol – ao menos uma usina começou a ser montada no Mato Grosso –, mas chegou-se a conclusão que a cana era muito superior e esse sprojetos foram abandonados.

O artigo da FA conclui que ao invés de subsídios e outras formas de incentivo, os Estados Unidos deveriam investir em eficiência energética, produtividade agrícola e no aumento da eficiência dos combustíveis feitos a partir da celulose.

Os críticos dos biocomsbutíveis ganharam poderosos argumentos com a publicação desses dois artigos, mas ao mesmo tempo, esses textos tem o mérito de apontar a direção correta a se seguir para introduzir os biocombustíveis na matriz energética mundial. Principalmente o artigo da Economist, também tem o mérito de desmistificar  alguns pontos e de separar o joio do trigo, ou melhor, o milho da cana.

Anúncios

Deixe um comentário so far
Deixe um comentário



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: