Biocomb


O último discurso de Browne, da BP by squizato
2/maio/2007, 1:50 pm
Filed under: Análise, Economia, Geral, Internacional

A saída prematura  do CEO da BP, John Browne (Lord Browne), fez com que seu último discurso como principal executivo da maior empresa do Reino Unido fosse sobre o meio ambiente e o futuro da energia. Em 26 de abril, Browne fez um discurso na Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA).

Ele lembrou de que há 10 anos esteve lá e fez, naquela ocasião, um discurso alertando sobre o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera e do aumento da temperatura terrestre.

A partir daquela data a BP começou a investir pesadamente em energias alternativas, com destaque para solar, eólica e biocombustíveis. Claro, que esses negócios ainda são quase traço no orçamento da gigante britânica. Por isso, o “Beyond Petroleum” que a empresa já se auto-aplicou é exagerado. De qualquer forma, foi sem dúvida a primeira das chamadas sete irmãs que decidiu seguir uma linha ambientalmente menos agressiva.

Como Browne afirmou em seu último discurso, esta decisão fez com que um outro executivo do setor dissesse que a BP “deixou a igreja”. Browne notou também que nesses 10 anos muitas outras empresas fizeram movimentos parecidos, fazendo da “velha igreja um lugar bem pequeno”. Outro exagero, mas de qualquer forma a tendência foi definida sob seus 12 anos de comando à frente da BP. Uma das primeiras medidas neste sentido foi o corte das emissões de gases do efeito estufa em 10% em relação aos níveis de 1990, uma decisão que muitas empresas ainda hoje relutam em tomar.

As energias alternativas começam a tomar corpo na empresa. A BP é líder mundial em gasolina misturada com etanol, tem 700 MW de energia solar instalada e pretende chegar ao final do ano com 500 MW de eólica. Segundo o planejamento estratégico da empresa, serão investidos US$ 1 bilhão por ano em energia alternativa nos próximos anos.

A ampliação do leque de negócios, contudo, nem está entre os principais méritos de sua gestão. Para analistas, Browne se destaca pela criação da primeira “super major”– quando  fundiu a BP com a americana Amoco – e pelo desempenho financeiro excepcional em parte em função do aumento do preço do petróleo nos anos mais recentes, mas muito devido à redução de custos promovida pela empresa. Alguns culpam o exagero no corte de custos como causa da explosão de uma refinaria da empresa no Texas (EUA), que matou 15 pessoas.

Porém, o mais notável, talvez tenha sido a aprovação do governo russo para comprar de 50% de uma petroleira daquele país. Primeiro porque é um movimento similar aos feitos na origens da indústria do petróleo, demonstrando uma incrível habilidade política. Segundo porque nenhuma outra grande empresa estrangeira conseguiu fazer isso, apesar da Rússia ser responsável pelas maiores reservas provadas de petróleo fora da Opep.

Lord Browne deixaria a BP em julho de qualquer maneira, logo nada deve mudar radicalmente na empresa, pois o novo CEO, Tony Hayward, já estava definido e a postos. A grande diferença é que a mentira que forçou a saída prematura de Browne irá lhe custar US$ 31 milhões e talvez um processo perante a Justiça britânica.

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